domingo, 21 de outubro de 2012

A diferença que se faz entre iguais

Estamos na Suécia. Um país muito diferente do Brasil, em vários aspectos: a temperatura, o horário do sol nascer e de se por, a língua, a História, a política (este é um dos países com menor índice de corrupção do mundo), até a aparência das pessoas - a maioria é de pele branquíssima e com olhos claros.

Aqui, é comum as folhas amarelas cobrindo o chão verdinho, os cogumelos que nascem espontaneamente nas entradas das casas, onde também há dezenas de maças caídas. Isso no meio de uma cidade bem urbanizada. Lugarzinho lindo, organizado e limpo. Meio vazio, meio deserto em alguns momentos do dia, e muito, muito frio.

Ambiente propício a experimentar uma solidão gostosa. Sinto-me tão diferente. É como se me sentisse mais sobria. Mais sábia do que seus moradores. Porque eu, por ser tão diferente, por ser uma visitante, vejo coisas que para eles são tão banais... O amarelo me surpreende, o preto das roupas de (quase) todos os passantes, o vermelho das bochechas... Eu me sinto privilegiada porque os vejo. Consigo ver melhor a diferença. E não somente aquela que estereotipamos, mas aquela que me afeta e me faz refletir sobre minha própria condição. Condição de observadora, de pesquisadora das coisas destoantes e rompidas, ou das nunca conciliadas.

A Suécia exerce um controle social tão eficiente sobre seus cidadãos que pouco lhe foge. Mas nada nessa vida pode ser tão limpo, tão fechado, tão previsível. Estou num terreno fértil de Histórias, que se abre, dia a dia, para a tão temída e discutida diferença.