quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Notícias da Serra



Estamos na Serra da Estrela, na cidade de Covilhã. Viajamos com um carro alugado, apertadinhos, mas muito animados. Laura era animação pura, até ser abatida pelo enjôo fatídico das curvas da estrada e botar tudo pra fora, duas vezes.

Mas a troca completa de roupas em pleno frio serrano (que em 1600 metros de altitude estava a 4 graus), o gosto ruim na boca e a barriguinha vazia foram completamente superados quando enfim chegamos na Torre - o ponto mais alto de Portugal, a 2000 metros, de onde se avista até mesmo parte da Espanha. A alegria de Laura e de todos nós veio mesmo quando pisamos na neve fofinha, fizemos guerrinha, deslizamos no gelo, deitamos, e montamos juntos um mini boneco de neve! Ai que coisa boa estar rodeada de neve! Mesmo com o frio - então negativo, e as mãos e pés congelando.

A imagem do por do sol sobre o vale coberto de neve e salpicado de pedras escuras da Torre vai ser agora o meu oásis mental preferido. Vai ser a minha ilustração oficial do "cantinho escondido" que existe dentro de cada pessoa segundo Marisa Monte. Saudade é uma boa palavra para o texto desse cenário: saudade da minha mãe e de minhas irmãs (pensei muito em cada uma delas, em como ficariam emocionadas ao ver os pulinhos e gargalhadas de Laura), saudade de meus sobrinhos! Como eu queria ver novamente seus sorrisos, mas de pertinho (não entrecortados pela falha de conexão do Skype). E quando eu pensava nisso, admirando a paisagem, meu marido comentou "imagina a Manu aqui!", sintonizado com meus pensamentos. Saudade será o texto perfeito para esse meu oásis porque com certeza ela me acompanhará ainda por todo esse ano na Europa. Porque toda essa neve branca é o contraste perfeito com a minha cidade, o Rio de Janeiro - que agora ferve a mais de 40 graus e daqui a pouco ferve com o colorido do carnaval.

Mas como é bom carregar um pouco desses dois mundos distintos!

Hoje foi um dia lindo! E completado por um jantar perfeito no restaurante de um hotel vizinho ao que estamos hospedados. Laura ainda conseguiu deixar a todos com os olhos mareados quando, no meio da refeição, pediu para fazer uma oração e fez, da forma mais singela possível, agradecendo a Deus porque o dia tinha sido muito legal.

Amanhã temos que acordar bem cedo para o passeio de Belmonte. Queremos fazer uma rota de 25 km e conhecer a bela história desse vilarejo, que abrigou muitos judeus da ditadura religiosa da Espanha no século XV, e que mesmo em Portugal tiveram que se reunir em criptas para driblar a conversão forçada ao catolicismo. Estou animada para respirar os ares desse lugar.

Além das emoções da viagem, contiuo pensando no doutorado, claro. O pé na jaca não foi tão fundo assim... Trouxe os textos que preciso ler para a aula do dia 07, quando definitivamente o clima de fim de ano fica para trás.

Texto da vez:

Szreter, S. Rethinking McKeown: The Relationship Between Public Health and Social Change.