domingo, 20 de janeiro de 2013

Relativismos

Acaba de me ocorrer um pensamento relativo. Relativismos são para casos, e não são para todos. Se eu tivesse o poder de proibir a mutilação genital em todos os lugares excêntricos onde ela ainda é praticada e permitida, não haveria pensamento relativo que me fizesse hesitar. Os relativistas me chamariam de arrongante, etnocêntrica, paternalista. Mas eu não hesitaria. E talvez eles ficassem ainda mais impressionados com a minha capacidade de relativizar. Eu me atreveria a ser a mais radical dos relativistas. Pois, defenderia que relativismos são pra casos e não são para a maioria.

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Agrada-me saber que, depois de séculos de posse garantida pela lei, os maridos brasileiros não podem mais agredir suas mulheres. Agrada-me pensar que aquele caso da mulher que gostcha de apanhar não poderá mais se sustentar numa sociedade que baniu a violência doméstica dos cânones culturais da boa relação conjugal. Agrada-me afirmar que essa mulher perdeu sua liberdade de apanhar e permanecer com o cabra de quem gostcha tanto porque ele será denunciado pelo próprio filho ou pela vizinha que agora mete a colher. E agrada-me ainda mais a lembrança de que o caso mencionado é de uma personagem de um programa humorístico da tv, que só se vê agora em canal fechado.