quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Imperfeição

Vinte dias com sintomas estranhos e muitos incômodos que já me fizeram desconfiar de gravidez, cisto no ovário e somatização... Dois dias de extremo estresse, dores e exaustão, procurando empatia atendimento em hospitais da minha cidade. Ah França, quem diria que você seria tão pertubadora em certas ocasiões... O sistema de saúde aqui está agonizando entre as exigências financeiras e as mentalidades preconceituosas de alguns profissionais, alguns que partem do princípio que você só quer abusar dos serviços. Mas, como em toda parte, há os que continuam fazendo uma medicina humana, humanista, humanizada. Enfim, não estou grávida, e provavelmente tive um cisto que estorou ou se foi, deixando a dor, que se vai aos poucos, e que me forçou a um repouso extremamente necessário.

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Enquanto isso, voltei a uma das leituras para a fundamentação teórica da minha tese. Uma das mais importantes que fiz durante a faculdade, e agora, durante essa pesquisa que tem me feito perder cabelos e ganhar amigas (perco um pouco mais de cabelos e de ânimo a cada mulher que encontro submersa numa opressão ideológica resumida pela busca de filhos perfeitos, que não sofram, que não errem, que sejam seres humanos revolucionários, mesmo que para isso, elas se percam de si mesmas).

"Assim, há na existência humana um princípio de indeterminação, e essa indeterminação não existe apenas para nós, ela não provém de alguma imperfeição de nosso conhecimento, não se deve acreditar que um Deus poderia sondar os corações e os rins e delimitar aquilo que nos vem da natureza e aquilo que nos vem da liberdade. A existência é em si indeterminada por causa de sua estrutura fundamental, já que ela é a própria operação através da qual o que não tinha sentido adquire um sentido"
Merleau-Ponty, Filosofia da Percepção