Abordagem Feminista

A abordagem feminista é uma perspectiva que atravessa muitos de meus trabalhos, pois com ela consigo re-pensar a clínica terapêutica em seu contexto mais abrangente, um contexto que inclui relações de gênero específicas. Em muitas culturas os seres humanos são divididos entre dois gêneros dominantes, sendo o masculino aquele ao qual atribui-se sentidos de poder, domínio e liderança, e ao feminino sentidos de passividade, receptividade, doação. Assim, "ser homem" e "ser mulher" acabam sendo aspectos marcantes das identidades sociais e acabam por limitar demasiadamente as vivências pessoais e por produzir sofrimentos específicos.

A abordagem feminista na psicologia clínica não pretende eliminar ou desvalorizar as vivências e identidade de gênero de cada um, mas pretende favorecer experiências autênticas e criativas que sejam potencializadas por elas. Isso significa que, distanciando-nos dos estereótipos de gênero e aproximando-nos de fato da pessoa, podemos reafirmar os sentidos positivos e intercambiáveis de "ser homem" e de "ser mulher", em busca da saúde em seu sentido integral.

Assim, a perspectiva feminista também é uma ferramenta importante para terapias que se pretendam inclusivas, ou seja, que não se fixem na definição binária dos gêneros, e possam acompanhar processos transexualizadores e atender à pessoas trans, homossexuais e bissexuais, respeitando integralmente suas vivências e identidades - como é preconizado pelo Conselho Federal de Psicologia.  

Enquanto campo de conhecimento, a psicologia feminista já é uma realidade consolidada em diferentes países, como Canadá, Estados Unidos e Austrália, e tem sido desenvolvida na Europa e na América Latina. Sugiro abaixo alguns links sobre o tema. Caso você se interesse profissionalmente pelo assunto, consulte-me sobre o Grupo de Estudos em Psicologia Feminista.